Untitled-1

Lixo eletrônico: reciclagem do material não chega a 4% no Brasil

Com o aumento do acesso a smartphones, cresce a produção de lixo eletrônico e Brasil ainda está atrasado na gestão desses resíduos

 

A quantidade de lixo eletrônico produzido globalmente vem crescendo a cada ano e já representa uma grande ameaça ao meio ambiente. Segundo dados divulgados pela Organizações das Nações Unidas (ONU), em 2016, foram geradas 44,7 milhões de toneladas métricas de resíduos eletrônicos, representando um aumento de 8% na comparação com 2014. A estimativa é que a produção deste tipo de lixo cresça 4% a cada ano, podendo chegar a 52,2 milhões de toneladas métricas produzidas apenas em 2021. Isso representa um quadro alarmante para nosso setor.

Outro dado que chama a atenção é o aumento na parcela da população com acesso à internet. Em 2007, eram apenas 20%. Em 2016 – ou seja, uma década depois -, houve um salto para 50%. Tal número preocupa especialistas, pois boa parte dos acessos vem de smartphones, que possuem uma vida útil menor quando comparados a notebooks e computadores – logo, são descartados com maior facilidade. Junto com os celulares, outros aparatos que merecem a mesma atenção aparecem, tais como fones de ouvidos, cabos e carregadores.

O descarte correto de materiais eletrônicos é importante também por uma questão econômica. Foi estimado em 2016 que 55 bilhões de dólares em ouro, prata, cobre, paládio e outros materiais recuperáveis foram para o lixo ao invés de serem usados em novas produções.

Algumas nações já trabalham com políticas públicas que visam aumentar a reciclagem desses tipos de materiais. A Europa foi responsável por 12,5 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico produzidos globalmente em 2016 e reciclou 35% desse total. Os Estados Unidos, responsáveis por 6,2 milhões de toneladas métricas, reciclou 25% desse montante. O Brasil produziu 1,5 milhão de tonelada em 2016 e reaproveitou apenas 4% deste total.

A justificativa para a baixa taxa de reciclagem no Brasil se deve ao fato de apenas 724 cidades em todo o território nacional contarem algum tipo de coleta para lixo eletrônico. A lei nº 12.305, aprovada em 05 de agosto de 2010, determina a destinação adequada desse tipo de resíduo, no entanto, não especificou onde o descarte deve ocorre. O Movimento acredita muito que uma combinação de engajamento da população, boas políticas públicas e maior interesse das autoridades pode reverter esse cenário.