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Conheça a história de 5 lixões que foram totalmente transformados

Do lixo ao luxo. Será que é possível revitalizar e reurbanizar uma área que um dia já foi um lixão? Experiências brasileiras provam que sim.

 

Definição de Lixão: é uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga do lixo  sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. O mesmo que descarga de resíduos a céu aberto (IPT, 1995).
Classe gramatical: substantivo masculino.
Separação silábica: li-xão
Plural: lixões

Todos já estamos cansados de saber qual é a definição de lixão e os malefícios advindos dele, certo? (Se não, deveríamos) Contaminação do solo e dos lençóis freáticos pela formação de chorume; risco de explosão e contaminação do ar decorrente do gás metano gerado pela decomposição de resíduos; atração de pragas urbanas transmissoras de doenças, como ratos e baratas; entre outros diversos problemas ambientais e sociais.

O Brasil está discutindo Projeto de Lei para prorrogar prazo para acabar com os lixões no país, vencido em 2014,estabelecido pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).  E apesar de ainda ser uma triste realidade brasileira, cada dia que passa mais cidades tomam consciência da prioridade do tema e lixões são transformados no país.

O Movimento Lixo Cidadão preparou uma lista com 5 exemplos de lixões que viraram uma alternativa eficiente, algo que precisa ser espalhado pelo país. Iniciativas pessoais e de grupos, provando que com vontade dá pra fazer. Confere aí:

1. Parque Ecológico do Sitiê (RJ)

Parque Ecológico Sitiê

O espaço no Morro do Vidigal, Rio de Janeiro, acumulava mais de 25 anos de detritos jogados aleatoriamente. Mauro Quintanilla, morador da comunidade, resolveu mudar a situação do local e após cinco anos de trabalho duro conseguiu remover mais de 16 toneladas de resíduos. Limpou a área e a batizou de Parque Ecológico do Sitiê. Hoje o espaço atrai diversos visitantes – inclusive turistas estrangeiros – que aparecem em busca de lazer, como por exemplo, sentar à beira do morro e admirar as praias de Ipanema e do Leblon. O parque possui uma horta, que já produziu mais de 700 kg de legumes, verduras, temperos e frutas, que são doados à comunidade. Além disso, é espaço de um “palco ecológico”, construído com mais de 300 pneus, que tem como finalidade promover atividades culturais para os moradores da região, além de conter as águas da chuva, muitas vezes responsável por provocar deslizamentos.

Não à toa, em 2015 o projeto ganhou o Prêmio de Arquitetura, Urbanismo e Design SEED, em Detroit, Estados Unidos, um dos mais respeitadas premiações internacionais que valida iniciativas que combinam design arrojado e interesse público. Impressionante, né?

 

2.Parque Villa-Lobos (SP)

Villa Lobos

Muitos conhecem o parque, mas poucos sabem a história dele. Até 1989, o terreno localizado na Zona Oeste de São Paulo era um grande depósito de lixo, entulho e material dragado do Rio Pinheiros, onde cerca de 80 famílias recolhiam embalagens e alimentos. A partir de 1994, a área com mais de 750 mil m² foi recuperada, sendo retirados 500 mil m² de entulho, dando lugar ao Parque Villa-Lobos, projetado pelo arquiteto Decio Tozzi.

Hoje o parque é um dos que mais recebem visitantes na cidade. Estima-se que durante os dias de semana, cerca de 8 mil pessoas circulem por lá. Já aos finais de semana, são 50 mil visitantes e, aos feriados, 60 mil. O local ainda conta com diversas opções de lazer ao ar livre, com ciclovias para bicicletas, quadras, campos de futebol, playgrounds e um bosque com espécies de Mata Atlântica.

 

3. Shopping Center Norte (SP)

center norte

Inaugurado em 1984, o shopping Center Norte, localizado na Zona Norte de São Paulo, é um dos mais populares da cidade, com mais de 300 lojas e com 80 mil visitantes/dia. Porém, nem sempre foi esse o cenário do local. Antigamente, a área era um lixão e os prédios do complexo Center Norte foram construídos em cima desse terreno.

Em 2011, a Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – ordenou o fechamento do centro de compras, por conta da existência de depósitos de gás metano no subsolo, resultado da decomposição dos resíduos orgânicos, que chegava a até 10 metros de profundidade e poderia resultar em uma explosão. Porém, com a instalação de 11 drenos para tirar o gás do subsolo, a o shopping foi reaberto, a situação foi normalizada e não apresenta mais nenhum risco de explosão. Ufa!

 

4. Praça da Boa Esperança (RS)

Praça da Boa Esperança

O que há dois anos era um local de descarte irregular de lixo, hoje é uma praça de convivência social, com canteiros repletos de plantas, bancos coloridos e grafites nas paredes. A Praça da Boa Esperança, localizada em Caxias, Rio Grande do Sul, foi totalmente revitalizada por conta de uma iniciativa de integrantes do projeto TaliesEM, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS), que convocaram os próprios moradores para ajudar na revitalização do espaço. A organizadora do projeto, Terezinha Buchebuan, explicou que a concepção foi toda baseada no conceito de urbanismo coletivo com participação da comunidade.

Até por isso, pela revitalização ter sido feita pelas mãos da vizinhança, continua motivando muito que a comunidade local cuide, zele e fiscalize a praça nos dias de hoje.

 

5. Praça Ecológica de Tocantins (TO)

Praça Ecológica de Tocantins

História parecida aconteceu em Pedro Afonso, no estado de Tocantins. Cansados de acordar e verem pela janela um lixão, os moradores do bairro decidiram fazer uma transformação. O que era lixo virou luxo! Bom, pelo menos para eles. O local se tornou o orgulho para os 12 mil cidadãos da cidade.

Com uma área que é quase do tamanho de um campo de futebol, o espaço foi transformado em uma praça ecológica, construída com mais de 10 mil garrafas pet, 500 pneus e com toda criatividade que os participantes pudessem imaginar. Até o parquinho foi retirado da lixeira.

O verde voltou a aparecer. Foram plantadas 90 palmeiras imperiais, sem contar as plantas nativas que reapareceram e espécies de animais que voltaram a habitar a praça. É muito bacana assistir a iniciativas comunitárias como essa, na qual a reciclagem permite esse tipo de transformação.

Fonte: Estadão, Governo do Estado de São Paulo, Veja São Paulo, Valor Econômico, Pioneiro, G1

 

Leia mais: Aterro x lixão: qual a diferença?

 

 

Site das Fotos:

http://misturaurbana.com/2016/02/moradores-de-favela-alto-vidigal-rj-transformam-deposito-de-lixo-em-parque-ecologico/
http://www.portaldorugby.com.br/noticias/fora-de-campo/rio-branco-assina-convenio-com-parque-villa-lobos
http://sitepraontem.com.br/guia/anuncio/shopping-center-norte/
http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2018/03/projeto-inaugura-praca-em-local-que-era-usado-como-lixao-em-caxias-10177326.html
http://g1.globo.com/natureza/videos/v/globo-natureza-praca-reciclada/6518342/