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Cepro forma 17ª turma de alunos deficientes e empodera novos talentos

Nessa segunda-feira (03), o Auditório das Faculdades Integradas Rio Branco sediou a formatura da 17ª turma do Programa de Qualificação Profissional para Surdos e Pessoas com Deficiência Física. Com apoio do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (Selur), Fundação de Rotarianos de São Paulo e Rotary Club, os cursos têm duração de seis meses e fazem parte do Programa de Aprendizagem Profissional do Centro Profissionalizante Rio Branco (Cepro). Ao longo do semestre, os estudantes têm contato com diversas disciplinas – português, matemática, tecnologia aplicada, noções de administração e atendimento – que possibilitam uma inserção qualificada no mercado de trabalho. Essa iniciativa é uma combinação de esforço, trabalho e boa vontade, que possibilita o surgimento de muitos talentos. É o caso de Givaldo Santos, que atuou como fiscal de segurança de grandes empresas, mas teve que se afastar da sua profissão após um triste episódio.

Em 27 de fevereiro de 2010, enquanto cumpria o expediente, Givaldo sofreu um acidente com a moto da empresa, que se chocou com um caminhão pipa. A triste surpresa rendeu uma fratura exposta do fêmur, diversas feridas, alguns dentes perdidos e, claro, um grande trauma. Mais do que isso, desde então, o baiano que mora na capital há 29 anos não pôde mais exercer sua função. “Comecei a atuar nesse ramo em 1988 e, de lá para cá, não parei. Passei por bancos, shoppings, faculdades e outras companhias de grande porte. Quando sofri o acidente, prestava serviço de segurança para a Porto Seguro, no centro da capital”, explica.

 

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Tudo isso que aconteceu foi um divisor de águas para Givaldo. “Fiquei praticamente em coma. Quando recuperei a consciência, já tinha passado pelas cirurgias. Diante desse cenário, nossa vida muda drasticamente”, explica. Apesar da difícil recuperação, ele se convenceu de que era hora de virar a página.”Há um tempo, andava em uma maré de baixo astral. Ficava mais de uma semana sem sair de casa. Meus amigos desapareceram. O curso veio na hora certa. Pensei que não iria conseguir fazer, mas arregacei as mangas e abracei a oportunidade”, salienta.

No entanto, não foi nada fácil! As aulas, que eram de segunda a sexta (ele se orgulha de ter 100% de presença), aconteciam a uma grande distância de sua residência, no Jardim Pantanal (Zona Leste de São Paulo). Era preciso pegar quatro conduções por dia, equilibrar-se com a muleta, almoçar às 11h, tudo isso sem deixar de dar atenção para filhos e esposa. “Depois de 26 anos fora da escola, foi preciso contar com ajuda. Na sala, nós nos apoiávamos. Os alunos que estavam com a memória mais fresca ajudavam os mais esquecidos. (risos) Essa conquista não é só minha, é de todos”, revela.

Há sete anos à procura de emprego, Givaldo afirma que se encontra mais capacitado para um novo desafio. “Foi um passo que dei para frente. Mas acho que ainda preciso seguir caminhando e também de auxílio para crescer mais. Pretendo continuar estudando e me qualificar mais. Inclusive, tenho vontade de desenvolver minha habilidade na área administrativa”, ressalta. A saúde do formando está mais estável: a última radiografia mostrou 70% de recuperação da lesão no fêmur. É uma trajetória de superação, que inclui sessões de fisioterapia, tratamento com psicólogo, um ano de cadeira de rodas e muito transtorno. Mas como Givaldo mostra, é preciso ter garra e olhar sempre para frente. “Agora, com a conclusão desse curso, estou com a autoestima mais elevada”, afirma.

A formatura da 17ª turma foi um momento importante pois também sela a comemoração de 70 anos do Cepro e uma década que a instituição se encontra instalada nas Faculdades Integradas Rio Branco. O tema escolhido para todas as atividades em 2017 é: “Cepro: 70 anos fazendo história. E você? O que tem feito para construir o seu legado?”. O evento de encerramento do primeiro semestre contou com personalidades e autoridades de relevância para que esse projeto caminhe, como Marcio Matheus (presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo – Selur), Sabine Vergamini (diretora do CES), Anrafel Pereira da Silva (Conselho Consultivo do Selur), Nahid Chicani (Presidente da Fundação de Rotarianos de São Paulo – FRSP), Ariovaldo Cadodaglio (consultor do Selur), José Américo Fischmann (Rotary Club) e Susana Penteado (Diretora do Cepro).

 

Fotos: Riba Dantas